E Adriana se alfa-empoderou. E Adriana nos empoderou…

Por: Aprenderes-Reflexões, divagações, incertezas e saber em rede.

fev 24 2012

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Categoria: Made by me

2 Comentários


A docência, para mim, é fonte de prazer e realização. Considero uma tarefa fascinante a possibilidade de interagir com pessoas (idosos, adultos, jovens e crianças) tendo como propósito intervir em processos de aprendizagens.
Me dedico a este labor há tempo suficiente para haver aprendido que, na maioria das vezes, os idiossincráticos processos de aprendizagem dos alunos que geraram e geram em mim sentimento de incompetência são, justamente, os que vão fazer de mim uma profissional melhor.
Durante esses anos, e não são poucos, tenho me empenhado em buscar consonância entre as estratégias de ensino e os processos de aprendizagens – meus e dos alunos que estiveram comigo. E cada vez mais enxergo menos problemas de aprendizagem e mais diferenças no aprender; menos transtornos específicos e mais abordagens inadequadas, vozes silenciadas e ignorâncias não confessas.
O encontro com ‘Adriana’ marcou em mim a certeza da força da mulher-menina da periferia de Salvador. Extenuada com as atividades domésticas, aos 5 anos de idade era considerada desatenta. Reconhecer e me permitir conhecer na sua meminez a sobrecarga de trabalho que a fez madurar possibilitou uma abordagem diferenciada para ela. Ciente de que naquele momento mais importante que a denúncia – que culminaria com a sua saída da escola – era o seu empoderamento através da alfabetização garanti o seu descanço durante a primeira hora de aula. Ao chegar na escola Adriana dormia, comia e só então iniciava as atividade escolares. O suposto alheiamento ao processo escolar e a suposta desatenção e desinteresse pelos conhecimentos do universo educativo foram paulatinamente se mostrando como uma vivaz sede de aprender e compartilhar saberes com os colegas. E Adriana se alfa-empoderou. E Adriana nos empoderou… A mim e ao grupo de docentes da escola onde trabalhava que libertas dos antolhos começamos a enxergar Adrianas, Marias, Pedros e Maurícios alunos-trabalhadores em sua infância empobrecida.

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2 comentários em “E Adriana se alfa-empoderou. E Adriana nos empoderou…”

  1. Se todos fossem iguais a você…
    Como seria esse mundo se nos olhássemos como tais, iguais. A maestria vista desse ângulo se reveste de um fio lancinante de incerteza que nunca cessa. Aquela procura diária por asas, ainda que bem pequenas que virão a ser, incluso na hora do recreio;
    Ou
    a seguir a turba alienada que busca a todo instante limar diferenças para que caibam na mesma forma, a maestria se perde incluso na hora do recreio justo por tentar abater as alas na apoteótica hora do vôo.

  2. Que bonito, Mara!
    Obrigada por ver por entre as pequenas mãos, o corpo frágil e o rosto forte de Adrianas, Marias, Pedros e Maurícios (docentes e discentes) o fugidio tremor das asas principiando o vôo.


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