Como cozinhar Má educação recheada com desrespeito ao magistério e decorada com redução de respeito à cidadania (receita a moda baiana)


Ingredientes: escolas com estrutura física deteriorada; professores e técnicos concursados que atuam na educação básica; professores e técnicos com contrato temporário; alunos; pais; péssimas condições de trabalho; baixo salário; manipulação da opinião pública; discursos de incompetência da instituição escolar pública; ‘teorias científicas’ que atribuam à escola a origem e a solução de todos os males sociais.

Elaboração: coloque professores, técnicos e alunos na pressão de uma escola com estrutura de prisão ou manicômio (janelas, portas e corredores com acessos precedidos por grades e sistema de vigilância) durante 200 dias letivos. Não esqueça de separar os grupos amarrando-os com cordões da marca ‘eu me oponho a você e nem sei porque’. Separe, também, os professores dos técnicos com fios do tipo ‘eu sou melhor e mais importante que você’. Tanto no grupo dos professores quanto dos técnicos separe os concursados dos contratados amarrando firmemente cada grupo com uma linha tipo ‘trabalhamos juntos mas eu tenho mais direitos que você’. Arrume em camadas hierárquicas colocando os funcionários da segurança, da higienização e da cozinha bem no fundo e separados dos outros por uma folha transparente da marca ‘finja que eles não existem’.
Enquanto isso, ponha de molho os salários (por 10 anos). Pique em pedaços pequenos a estrutura física e pedagógica das escolas – quanto maior a desértica aparência de campo de guerra melhor. Frite os direitos trabalhistas dos técnicos, funcionários e professores. Torre a paciência dos pais com os discursos sobre a incompetência dos professores e da escola. Salpique tudo com notícias sobre violência na escolar ( Fica ótimo!). Aqueça uma frigideira com os resultados das avaliações em larga escala e refogue em uma reunião de colegiado.
Não se assuste se começar a ebulir com protestos, reivindicações e greves. Primeiro finja que não percebeu o movimento – o silêncio governamental opera milagres. Se não funcionar esfrie a fervura utilizando os veículos de comunicação para culpabilizar as professores pela má qualidade da educação – vale a pena afirmar a incompetência dos profissionais e a insinuar que a categoria tem vida mansa – sempre funciona. Se eles resistirem apele para a pressão dos pais e responsáveis lembrando-os que os alunos do final do ensino médio estão se preparando para os processos seletivos e serão prejudicados – essa é infalível. Para evitar que volte a ebulir, contrate alguns ‘especialistas’ para entoar os hipnóticos cânticos das ‘teorias científicas’ que atribuem à escola a origem e a solução de todos os males sociais.

Está pronto o prato que serve a todos os governos neoliberais que buscam uma eficiente forma de colonizar as mentes e os bolsos dos cidadãos.

Obs: As quantidades para os ingredientes da receita podem variar de acordo com o partido político no poder. O segredo para garantir uma excelente má educação é caprichar na manipulação da opinião pública (pais e alunos), na desestruturação do sistema de ensino e na insatisfação docente.

Dina Maria Rosário

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