A Baia de Todos os Santos… Odoyá!

Por: Aprenderes-Reflexões, divagações, incertezas e saber em rede.

abr 26 2013

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Categoria: Poesia, prosapoética e prosopopeias

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Uma beleza que reverencia a todos os santos. Mais de 50 ilhas onde ainda há a tradição dos antepassados. A cultura de quem vive do mar passada de geração para geração. O Farol da Barra é um dos cartões postais da Baía de Todos-os-Santos. E por essas águas o Globo Mar fez uma verdadeira expedição, cheia de descobertas.
Um lindo dia de sol e de águas mansas e mornas. Isso é Bahia. Nosso guia por essas águas é o professor Everaldo, biólogo, baiano e uma enciclopédia ambulante quando o assunto é Baía de Todos-os-Santos. “Isso é uma paixão que está no sangue, não tem jeito. Aliás, nós somos baianos por causa da Baía de Todos-os-Santos. Então a gente fala que nós temos o sangue salgado correndo nas veias por causa dessa maravilhosa baía”, diz o professor.
Baia
Foi no Farol da Barra, também conhecido como a Ponta do Padrão, que os portugueses chegaram pra dizer ‘essa terra é minha’. Colocaram uma pedra que eles chamavam de ‘padrão’.
A Baía de Todos-os-Santos é a segunda maior baía do Brasil e é onde a gente vai aprender a conhecer a história admirar as belezas. Temos chão, ou melhor, temos água pela frente. E quanta água. São 1.052 quilômetros quadrados. Os limites são o Porto da Barra ao norte e a Ponta do Garcês ao sul. Uma imensidão que guarda 54 ilhas. E toda a mística que só a Bahia tem.
Já dentro desse clima, a Ilha do Medo é uma ilha famosa na Baía de Todos-os-Santos, cheia de lendas e mistérios e histórias mal contadas que a gente tenta decifrar um pouquinho. Historias que deixaram nossa tripulação meio ressabiada.
“Olha, até pelo meu passado eu tenho um pouquinho de medo. Uma vez passando com meu filho aqui o anzol voou, pegou nas costas dele, eu já tive problema com cinegrafista de chegar na Ilha do Medo e a máquina não funcionar. Até naufrágio com alunos meus já teve aí o barco afundou, a lancha que veio salvar quebrou. Então isso é que torna a Ilha do Medo um mito”, revela o piloto do barco.
Parece que essa ilha tem mesmo algum mistério. Tentamos mas não conseguimos nem chegar perto. Nos restou ancorar num local seguro para no dia seguinte seguir nossa viagem. Baía de Todos-os-Santos e de tanta beleza.
Em uma das áreas mais procuradas para mergulhos, tem que tomar cuidado, ficar com o barco parado um pouquinho pra não bater nas pedras.
Um pescador de nome curioso, o Cotia, vai nos ajudar a fazer um reconhecimento da área pra encontrar o melhor ponto pro mergulho.
Próxima parada: você já ouviu aquela expressão ‘isso fica pra lá de Caixa Prego’? Então, Caixa Prego é uma praia da Ilha de Itaparica.
Chegamos a um estaleiro artesanal. Afinal, a gente ainda encontra os famosos e antigos barcos de feira. Feitos à mão. Muitos deles por seu Guidú.
Às cinco da manhã saímos pra mais um encontro. Depois de tentar várias vezes pra conseguir desembarcar porque a chuva estava atrapalhando a gente conseguiu. E chegamos na praia da Penha. Pra encontrar com um grupo de mulheres, que vai pescar de um jeito diferente.
Pinauna
Todos os buracos que a gente vê no recife são feitos pelo ouriço do mar. E ele tem um papel muito importante porque ao fazer os buracos, ao provocar essas erosões, eles liberam o cálcio que tem nas pedras que é alimento pros outros seres vivos desse ambiente.
“E as mulheres que trabalham tirando isso acabam diminuindo o excesso, porque o senhor falou que tem muito. Não é?”, pergunta a repórter Poliana Abritta.
“Serve de um controle. O que a gente não pode fazer é uma extração, um extrativismo excessivo sobre esses bichos. Uma outra coisa é o pisoteamento dessas áreas. A quebra do próprio ambiente recifal”, responde o professor.
Essas mulheres fazem um sistema de rotação em função da própria maré. Então hoje elas coletam em um determinado lugar porque a maré não é uma maré pescadeira, mas na próxima lua elas vão pescar em outra área. Enquanto a primeira descansa.
Na terra em que você vê o sol nascer e se por no mar, nosso desafio é explorar as ilhas da Baía de Todos-os-Santos. São 54. E elas guardam riquezas e muitos contrastes.
A Ilha de Madre de Deus tem um terminal marítimo da Petrobrás. A Ilha dos Frades é um Parque Ecológico e, se vista do alto, ela tem o formato de uma estrela de 15 pontas. Há ilhas completamente ocupadas.
A Capela do Loreto fica na Ilha dos Frades. Bonitinha, bem charmosinha. Tem a Ilha de Bimbarras e a Ilha das Vacas. Em algumas ilhas, só sendo convidado pra entrar. São ilhas particulares.
Pra nos mostrar o que há de melhor na baía, nada como que uma filha da terra, filha do mar. No nosso barco, recebemos a estrela da Banda Cheiro de Amor, a baianíssima Aline Rosa. E ela nos leva ao seu lugar preferido: o Forte de São Marcelo. É um dos poucos no mundo completamente rodeado por água.
O Forte de São Marcelo foi construído no século 17, mas só no século 19 é que ele ganhou a forma circular. E tem história pra caramba da Bahia. O lugar já foi tomado pelos holandeses, o líder farroupilha Bento Gonçalves ficou preso lá. É um marco de Salvador.
Coral
Essas águas sofrem ameaças da poluição que ronda a Baía de Todos-os-Santos. Com o esgoto doméstico da capital, Salvador. E também com um invasor que vem da própria natureza. O coral-sol chegou do pacífico nos cascos dos navios e está se multiplicando debaixo d’água.
Ele entra em competição direta com os corais nativos. Coral precisa de espaço, então ele ocupa o espaço dos outros corais impedindo que os outros corais cresçam e proliferem. Ou seja, é uma ameaça real pros peixes, pra toda a biodiversidade da Baía de Todos-os-Santos.
Pra combater essa ocupação, uma tropa de ambientalistas cai na água. Pra retirar, um sistema bastante simples é usado: uma marreta e uma ponteira.
Um dos pioneiros nesse trabalho é o Zé Pescador. Ex-pescador, ele é um dos fundadores da Ong que trabalha no monitoramento do coral-sol na baía. “A gente quer transformar lixo biológico, um bio-invasor numa possibilidade de geração de renda pras comunidades, através do artesanato, através da educação primeiro, pra educar os pescadores mostrar que a gente precisa conservar o coral nativo, mas que esse coral invasor que hoje é um problema pode trazer uma solução. Isso é economia criativa”, explica.
Mesmo com tantos perigos a baía esconde riquezas onde a gente nem imagina.
Partimos para encontrar um grupo de mulheres que mergulham em apneia pra capturar peixinho ornamental. Peixinho de aquário que você compra pra poder colocar um aquário bonito em casa. Pois é. Só que o interessante é que elas vão nadando da Gamboa até o Farol da Barra em apneia, ou seja, sem cilindro, sem nada, só no folego.
O que é impressionante é que elas vão recolhendo, capturando os peixes muito perto das casas, muito perto da terra. Então, mesmo assim dá muito peixe, a água é muito transparente.
Tem que ter muita habilidade, porque embaixo d’água ela tem que conseguir capturar o peixe, tirar ele de dentro da rede, colocar ele dentro do saco e ainda assim tendo que segurar a ferramenta que elas usam pra espantar outros peixes e pegar polvo se for o caso.
Olha, a gente tem que reconhecer. Foi uma surpresa pra nossa equipe encontrar todo esse tesouro. Foi na beirinha, colado em Salvador, que a gente viu as maiores riquezas do mar. Polvo, moreia, cavalo marinho, e é claro que pra isso a gente contou com a habilidade das guerreiras do mar.
Oferenda
Em 1999 o governo do estado da Bahia criou a Área de Proteção Ambiental da BTS. Hoje a Baía abriga 16 municípios – com mais de três milhões de habitantes – e o Complexo Petroquímico de Camaçari, o maior do Hemisfério Sul.

Assista ao vídeo aqui.

Fonte:http://g1.globo.com/platb/globomar/category/episodio-da-temporada-2013/

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